Finanças pessoais: como quitar suas dívidas – Parte I

Como se livrar da esmagadora pressão que as dívidas trazem? É o que iremos discutir nas próximas linhas deste texto. É preciso, antes, que se saiba da necessidade de se ter a mesma disciplina de quem vai à academia, faz caminhada ou dieta perseverante todos os dias. O processo é bastante parecido e a melhor parte, é que funciona mesmo. Funcionou até comigo!

Comentarei sobre as medidas que você pode tomar para viver livre desta verdadeira praga da sociedade moderna: o endividamento.

Boa parte deste material é fruto de minha palestra de finanças pessoais e do curso de finanças “Mais Dinheiro, Mais Vida”, que tratam intensamente da questão dívidas e nos alertam que a melhor maneira de quitar as dívidas é não chegando perto delas. O modelo de vida financeira ideal para uma família é viver dentro de sua realidade econômica, coisa que a publicidade tenta a todo momento lhe convencer do contrário. Bom, mas para quem já está com um pé (ou os dois) dentro das dívidas, além de seguir o conselho acima, precisa saber que é hora de assumir as responsabilidades.

Quando gastamos o dinheiro do cartão, do cheque especial, do empréstimo ou do carnê, nós sabíamos o que estávamos fazendo, então nada mais justo do que pagarmos nossas dívidas, de acordo com as condições de cada pessoa. Então como fazemos quando as dívidas já existem?

NÃO SE DESESPERE!

Por mais esquisito e irresponsável que possa parecer este conselho, é isso mesmo! Pense comigo: se você ficar desesperado não vai pagar um centavo a mais de sua dívida, vai? Além do fato de você ter mais tranquilidade para negociar, tem a parte técnica envolvida nesta postura de manter a calma: com o passar do tempo, você, apesar das cobranças insistentemente chatas, acaba por ter o valor de vários tipos de dívidas reduzidos, pois a instituição credora, passa a ter o risco maior de perda daquele recebível e suas chances de obter grandes descontos aumenta. Claro que se a dívida for em nome de sua sogra, por exemplo, você tem que correr mais rapidamente para quitá-la.
Os tipos de dívidas que mais comumente se consegue boas negociações são dívidas onde não há contrato com valor jurídico ou fiadores, ou ainda, seu imóvel como garantia. Já, para os casos onde existe a possibilidade da perda do bem, como um financiamento de um imóvel ou de um carro, sugiro que priorize essa regularização. Isto porque você pode acabar perdendo o bem. Imagine a situação: você compra um carro, paga várias parcelas dele e um tempo depois, perde o carro, o valor das parcelas já pagas e ainda, terá seu nome negativado.

CORTE GASTOS DESNECESSÁRIOS (E ALGUNS NECESSÁRIOS TAMBÉM)

Toda pessoa que possui dívidas aprende rapidamente a fazer um orçamento doméstico e aí, consegue identificar onde pode cortar (você pode fazer um check-up de suas finanças, gratuitamente, clicando aqui.), tanto despesas supérfluas, quanto algumas essenciais, que serão cortadas temporariamente, dependendo do tamanho da dívida da pessoa. Em geral, você pode começar pela TV a cabo, internet, assinaturas de revistas, churrascos, pizza da sexta-feira, alguns hobbies etc. Na escala dos gastos não “cortáveis”, considere não cortar despesas com saúde, se for o seu caso. Não adianta ter dívidas e não ter saúde para pagá-las. Você verá que quando se deseja, consegue-se milagres em termos de redução de custos.

Costumo orientar em meu curso de finanças que você, depois de tanto sacrifício para pagar suas dívidas, faça duas coisas: a primeira, não contraia novas dívidas. É muito comum a pessoa acabar de pagar uma dívida por vários meses, ter seu nome limpo e ir direto para uma grande loja de móveis ou eletrônicos, reiniciar o mesmo ciclo de dívidas.

A segunda coisa é bem mais interessante: que você passe a considerar guardar aquele valor que vinha pagando da parcela da dívida. Ao menos, parte dele. Analise comigo: se você já não contava com esse recurso porque estava empregando-o numa dívida, não é razoável que continue não contando com ele e faça uma reserva com este valor?

Tenho acompanhado casos de gente que gastou a vida toda e agora, depois de muito sufoco, aprendeu a guardar aquela “parcela” da dívida que vinha pagando. É como se a dívida não acabasse nunca. Porém, neste caso, trata-se de uma boa “dívida”, que no meu livro de finanças “Dinheiro dá em Árvore”, chamo-a de dívida de investimento, comparando-a a um consórcio ou previdência privada. Assim, você vai depositar todos os meses, sem o risco de perder dinheiro. Equilibrar finanças pessoais é cuidar do comportamento, para isso, é preciso manter a disciplina de um atleta!

*Professor Portare
www.JuniorPortare.com.br

Portare é empresário e palestrante. Escreve sobre motivação, qualidade de vida e finanças pessoais para diversas revistas, jornais e blogs. É autor do Livro “Dinheiro dá em Árvore” e professor de cursos de pós-graduação da FGV – Fundação Getúlio Vargas.